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terça-feira, 19 de maio de 2015

mãe

a verdade é que os anos passam mas há momentos em que qualquer energia me atira para ti. um retrato, uma música, um simples prato. o silêncio. e não consigo impedir que o sal volte aos olhos e que o estômago arrefeça. e parece até que sinto o frio cortante daquele dia em que te arrancaram de mim. o dia em que fiquei mais perdida. o dia em que me senti na mais profunda solidão. o dia em que nenhuma palavra me aqueceu. o dia em que deixei de te ouvir. o dia em que qualquer coisa cá dentro se apagou, se partiu. o dia em que me senti rasgar. o dia em que mais precisei de ti, o dia em que quis gritar e não consegui. o dia em que o meu corpo se dobrou. uma dor ao centro. o teu colo perdido para sempre. o teu cheiro. a tua voz. os dias que ainda tínhamos para inventar. o tecto branco do meu quarto. e só me apetecia pedir desculpa porque parecia um castigo qualquer de tão grande que era a dor. e nesse dia, tu sabes, meu amor, que morri também um bocado. nesse dia, não mais podia dizer a palavra mãe. e eu precisava tanto e quis tanto repeti-la desde aí. o dia em que fiquei sem saber o que fiz de errado. o coração em sangue. onde é que estás que me fazes tanta falta, mãe?
(2013)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

o céu tão azul com uma nuvem

estão quase a terminar e foram boas, muito boas estas férias! primeiro o sorriso azul do novo tesouro. os gritos de alegria e a gargalhada doce. depois quinze dias inteirinhos a desligar do mundo real e a mergulhar em mais mimos e sorrisos. quinze dias a deixar-me levar por quem já sabe pronunciar palavras só com consoantes. quinze dias a deitar-me às tantas por causa de um jogo que as fazia rir até às lágrimas. e eu adoro esse riso. quinze dias a iniciar o vício Nutella que está já a ser devidamente combatido. quinze dias a questionar-me como aguentam andar seis e sete horas... e depois o regresso, o mar, o sol, as bochechas coradas. tem sido muito bom. mesmo que sinta o coração amarfanhado com uma sms acabadinha de chegar: Tenho muitas saudades tuas!

(e ainda faltam dois dias para o regresso... bolas.)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

porque te trago dentro



Com cuidado, venho dar-te um beijo. De olhos fechados, sinto os meus lábios no teu rosto. A pele marcada pela idade que a Vida considerou bastar, sem nos pedir opinião. O teu sorriso a entrar-me nos olhos. O coração a aquecer. As saudades a encherem-se de sal. Desculpa, mas sabes melhor do que eu como é inevitável. Tu que atravessaste oceanos, ultrapassaste tempestades, choraste perdas e percorreste os caminhos necessários, em busca de um lugar onde pudéssemos estar bem, juntos. Sabes do que falo. Fecho os olhos. Não quero lembrar-me do que fez doer. Só quero sentir os meus lábios no teu rosto e o teu braço sobre os meus ombros. É por isso que me aproximo. Porque o teu calor continuará a aquecer-me o peito. Porque, diante de ti, continuarei a ser pequena (a tua). Porque a tua presença permanecerá em mim. Porque o tempo não tem capacidade para a silenciar. Porque acontece sempre isto com as pessoas grandes. Os meus lábios no teu rosto. O teu sorriso a encher-me. Eu, cativa por um segundo, num abraço da eternidade.

domingo, 21 de junho de 2009

da saudade

Porque a saudade não se explica, mas, ainda que alguém fosse capaz de o fazer, temo que tal proeza não a pudesse diluir. Porque a saudade, como dizes, pesa, ainda que a guardemos delicadamente embrulhada em papel pardo ou prata. Porque o seu peso é proporcional à sua idade. Porque o calor tem o dom de a dilatar e evocar os dias de verão, tempo em que o mar e o sul se fundem. Porque o calor não a derrete, mas multiplica-a em milhares de grãos de areia a escaldar ao sol. E é por isso que queima. Porque o fado apenas a evoca, e, nele, o grito mudo ganha expressão, mas não o silencia para sempre.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Porque é verdade que "Tudo o que é sólido se dissolve no ar"

Às vezes temos a certeza que temos tudo controladinho, que a coisa, por delicada que seja, corre de forma tranquila, ainda que o coração se sinta apertado. Beijinhos. Mais uma lembrança. Oh! Que giro! És uma chamuça-canussa! (nunca percebi o que isto significa mas é dito com muitas ganas e vontade de abraçar, por isso deve ser bom!). E mais beijinhos, daqueles em que ora dá uma ora dá outra. E abraços. E jantamos. E, quando chegarem, avisem... E tudo intercalado com histórias de gatos, piadas e planos para o Verão. E lá volto, mergulhada nos rostos que tanta falta me fazem e, quando dou por mim, quase estou na Ponte 25 de Abril e nem sei se ali era sítio para fazer inversão de marcha... mas também não interessa. E porque o coração estava pesado, lá passo pelas manas que, diga-se de passagem, hoje me espezinharam um bocado... mas tudo bem... sempre recebi flores! E, finalmente, em casa, no meio do exercício doloroso de fazer a pasta e arrumar a mala, encontro mais um bilhetinho, daqueles todos dobrados, cuidadosamente escrito numa caligrafia infantil, cheia de ternura. Reparo que foi escrito há mais de 24 horas. E pronto, lá leio cada palavra com a delicadeza merecida e, de repente, percebo que a certeza que considerava sólida se estilhaçou em mil partículas. Quando isto acontece, como é que se faz?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

porque sim.

porque amanhã é dia de ir à escola...
porque hoje é dia das Fadas partirem...
hoje preciso de mimos a dobrar.

domingo, 5 de abril de 2009

Há momentos em que o Céu acontece


Fairies Scarlett, Bethany e Pearl

We are really friendly to each other, but sometimes we are far away from each other so we can only meet each other in the holidays, but it is still fun even though we can only meet a few times. Sometimes we miss each other really much and of course that is normal , we also miss each other really much in other times, but the hardest times are when the holidays end and each of us has to go to a different place. When we talk in the mobile Bethany and Pearl don't really care much to talk with Scarlett. But when we are together something is different because Bethany and Pearl want to be more time talking to Scarlett then when they are talking on the mobile and on skype. Their feelings are different because they get more excited. The three of them don't like to be separated.

Bethany


(Eh, pá... muito lindo. Tinha que o registar aqui, apesar de ser do blogue das três...Sinto o coração inundado de ternura... Snif! Obrigada, minha amora por estas palavras que antecederam o amanhecer!)