sábado, 27 de setembro de 2008

missing you



“Cativar” quer dizer o quê?
É uma coisa que toda a gente se esqueceu. Quer dizer criar laços.
Por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Mas, se tu me cativares , passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti…
Sabes, há uma certa flor… tenho a impressão que ela me cativou…
É bem possível.
Vê-se cada coisa cá na Terra…
Só conhecemos o que cativamos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
Que é preciso fazer?
É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
(...)
Teria sido melhor voltares à mesma hora. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estaria inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
Que é um rito?
É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas.
(…)
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos…
Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa importante.
Ficas responsável para todo sempre por aquilo que cativaste.

(adaptação do texto de Antoine de Saint-Exupéry, "O Principezinho")

Hoje pensei em vocês. Aliás, penso em vocês praticamente todos os dias. O vosso rosto aparece-me com frequência. Sentados à minha frente ou diante de um computador, numa sala minúscula onde os laços foram crescendo até alcançarem o coração. O Exupéry tinha razão...
Fazem-me falta. As perguntas. O riso. A vossa autenticidade. As cadeiras a arrastarem-se. (Um barulho que eu insistia em combater). A vossa criatividade a crescer e a enriquecer-me por dentro. As reclamações. A curiosidade a bombardear-me. A certeza que temos quando sabemos que já nos conhecem.
Pergunto-me vezes sem conta como estarão . E nesta ausência de respostas, quero acreditar que tudo ficará bem.

The Story


All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

Brandi Carlile

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Transparências IV




Tem-me doído a alma. Acontece-me isto sempre que a angústia se instala. Por vezes, ela parece aquietar-se, mas depois, quando dou comigo a pensar, - este vício... -, acordo o bicho e ela invade-me por completo. À minha frente, a estrada. Ao lado, o lugar onde trabalhaste e para onde as mudanças dos últimos dias me trouxeram. Involuntariamente não posso deixar de questionar esta ironia da vida, que me permite ter agora condições para almoçar contigo e já não haver hipótese. Esta eterna espiral dos ses arrasta-me novamente. Não bastassem as incógnitas do futuro e ainda carrego estes ses que já só pertencem ao passado. Momentos presentes que chegaram tarde demais. E desabo. Outra vez.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Transparências III

Passaram-se apenas 6 dias desde a última vez que consegui escrever. Cada um desses dias foram preenchidos com anos de emoções, acontecimentos, angústias e um sem número de pensamentos que se atropelavam cá dentro (e me atropelavam, também). A força de uma notícia despoletou novas dúvidas... medos... A engrenagem, que há muito não parava, foi colocada ao nível acima. E assim vou passando os dias e as noites, num contínuo dispêndio de energias. O cérebro a pedir pausas e o "coração aos pingos". A estrada sempre presente. E as permanentes partidas e chegadas. Acordam lembranças: a emoção de partir do berço-lar para me lançar à vida, atrás do que gosto e do que quero: a História. Crescer por dentro. Conquistar um espaço. Aprender. Mais mudanças e eis que chega um desafio: criar! O tempo passa, vou fazendo as peças desse puzzle, vendo-o ganhar forma. Etapa após etapa saboreio cada conquista, sem parar a obra. Orgulhosa, não deixo de proceder às correcções necessárias, espontâneas ou solicitadas. Invisto em mim. Conquisto um novo espaço... desta vez mesmo meu!... (e da CGD!). Construo relações. Experimento novas partilhas... Depois, as ervas daninhas começam a crescer à minha volta. De dia para dia, espalham as suas raízes e minam o caminho. Impõe-se uma nova partida. Deixar tudo. Agora? Para sempre? Quais as alternativas? E lá me aparece o teu rosto! [Ai a falta que me faz a tua voz...]. E lá fui eu fazer o que tinha de fazer... Recomeçar assusta sempre, pelo menos a mim, mas se tiver de ser, sabes que eu vou. Queria mesmo era ter a certeza que vale a pena acreditar na justiça. Que esta luta será coroada com o sucesso merecido e a miséria humana, pelo menos desta vez, vai perder. Que não são só nos contos de fadas das pequeninas que encontramos finais felizes. Queria conseguir ouvir e acreditar nestas palavras tão tuas: "Vai correr tudo bem! Faz a tua parte e confia." Gostaria de conseguir parar de pensar for a few moments e dar à fragilizada equipa de neurónios uma pausa merecida. Queria ser capaz de estar inteira no aqui e agora. Apetecia-me poder pousar tranquilamente a cabeça no teu colo e dormir um bocadinho.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pé ante pé pela capital

Não. Não foi hoje. Parece até que foi há imenso tempo, mas era só o início de Agosto. Ora acompanhada ora sozinha apeteceu-me olhar bem esta cidade. Por dentro e por fora. E ficar um pouquinho a contemplá-la. É que em cada canto há mesmo onde o olhar se pode perder.






















É que Lisboa é mesmo uma cidade bonita.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

nós que se sentem e não se explicam

Há dias assim. Começa-se a sentir um bolo cá dentro a crescer, a crescer, e a impedir que o ar circule. Não existe uma razão específica para o súbito levedar desta massa, mas é uma realidade. Podia enunciar um conjunto de motivos, mas nenhum é directamente responsável, pelo menos isoladamente. De qualquer modo, nem sequer me apetece . Hoje estou assim, com vontade que o Outono chegue. Pode parecer trivial mas apetece-me ver cair as folhas secas e sentir o cheiro a terra molhada. E o bolo que não pára de me atravancar a garganta.

Lugares nossos

Hoje foi como tem sido quando ando por cá. Só que hoje quis também presentear-vos. Os anos, claro, mas sobretudo pela amizade. Esse lugar onde existe espaço, calor, risos e, quando é preciso, só o entendimento silencioso. Esse lugar que nos torna mais humanos e onde descarregamos os fardos para dois dedos de conversa e uma jola. [mesmo que depois nos apareçam à frente com pãozinho, queijo, presunto e mais umas quantas iguarias... E a malta a querer perder peso e ela a tentar-nos!] Hoje não quis ir descarregar nada. Não quis encher-vos de lamúrias. Hoje, apeteceu-me apenas fazer como se fazem às crianças quando se magoam: um beijinho. Vai passar! Olha, recebe este presente!
Hoje, quis só dar um xi e dizer-vos obrigada.
PARABÉNS!
[Olha, queres que vá à procura de uma coisa qualquer da Melissa ou da Fly e te diga outra vez: há preta e verde? Se for preciso eu vou! Sem problema! Tu sabes o que eu gosto de bater perna nos shoppings! É nestas coisas que acho que sou mesmo daqui... Jocas]

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mais doce que o chocolate


As tuas lágrimas escondidas. Tão pequenina... porque me escondes as lágrimas? A dor que vem só de ver esses olhos vermelhos e tu a segurar o choro. Meu amor doce, tantos quilómetros fizemos estes dias. Tantas fantasias, canções e brincadeiras. E o riso? Que há melhor do que o riso partilhado convosco? Que gargalhadas tão doces. Sons que coroam um mundo maior, difícil de descrever, de pôr no papel. Música de encantar. Ternuras súbitas que não cabem na palma da mão, por mais que se tente agarrrar. E os olhos que me invadem e preenchem. "Porque me olhas assim? Que olhar é esse?" Sorris. E aí vem o teu rosto contra o meu, e um beijo ganha vida. Amor doce é o que és, pequenina. A tua mão na minha. Os olhares. Tudo numa maravilhosa cumplicidade. As cócegas e as partidas. Os sonhos e as brincadeiras. As canções. Coisas que se contam e fazem crescer isto de sermos umas da outras. Doçuras. Vamos lá brincar, Pearl e Bethany!

***

Scarlett

AMAdorar


Foi assim num momento de ternura como têm sido os últimos. No meio das confissões do que nos vai no coração, eis que se levantou um problema. "Adivinha o quanto eu gosto de ti?" Pensámos, pensámos e não foi possível chegar a um patamar satisfatório. Gosto de ti até ao céu. E voltar. Amo-te até Plutão e voltar, também. [fiquei a saber que já nem é considerado um planeta...] E eu à volta do sistema solar várias vezes e voltar. Depois de algumas voltas ao universo... zás!... outro problema. Nem "amar" é suficiente! "Adorar" sempre me pareceu menor. Isto das palavras é lixado! No meio da ternura, felizmente impera a serenidade e a confiança: AMAdoramo-nos! [Deve ser isto a eternidade.] ;)
(imagem retirada da internet)

sábado, 16 de agosto de 2008

Momento de Ternura


Já cá estamos as três. Agora é mesmo para curtir e divertir! Matar saudades e conversar de tudo e mais alguma coisa. Rir até ter vontade de fazer xixi. Dormirmos esmagadas umas contra as outras. Estilo sandwich! Ler até os olhos fecharem. Voar nas asas da imaginação, essa que nos leva ao mundo das fadas, das princesas, dos sonhos. Onde passamos as noites em festas e os dias a viajar pelo mundo, acompanhadas dos nossos príncipes-artistas de hollywood. Vestidos de baile, lábios pintados, sapatos de salto e olhos cor-de-rosa. Praia. Sol. Piscina. Os amigos à volta e a vida a seguir o seu ritmo, maravilhosa. À noite, depois de um gelado no centro, conversas no escuro e, quando os olhos se fecham, entramos no mundo dos sonhos, lembras-te? [Sim, lembro-me, meu amor. O que mais gostaste nessa história que te fiz?] Adorei as caixinhas cor-de-rosa, dos sonhos. [Eu também, princesa, mas o melhor de tudo era a caixinha azul dos segredos. Aqueles que partilhamos e nunca contamos a ninguém. Olha, lembrei-me de uma coisa que não te digo há muito tempo. Adivinha!] Que tu gostas de mim? [Não.] Que tu me adoras? [Nopes. Que eu te amo daqui até à Lua e voltar, 20.000.000.000.000 de vezes!!!]
(imagem da internet)

14 de Agosto

Trago-te no pensamento há já algum tempo. Na verdade, tens estado sempre presente, mas acredito que quase não te mexas só para que eu viva cá em baixo com menos dor. Seja o que for, farias anos na 5ª feira e isso fez-me acordar o que existe de ti em mim. Possivelmente estaríamos aqui. Possivelmente teríamos comprado um bolo e teríamos comido juntos umas belas gambas. Muito barulho à volta de várias mesas feitas numa só. Cerveja, petiscos. E tu a equilibrares-te com a água. Tanto esforço sempre com a água, lembras-te? Mais a comida quase sem sal. E os meus descuidos a lixarem o esquema. [não. não vou escalpelizar remorsos.] Era só mesmo para te dizer que te trago no pensamento. Que me fazes falta. Que o nó não se desfaz da garganta. Que a voz ainda se me embarga quando falam de ti ou da Mãe. As piticas estão grandes. Os mais velhos imaginam a alegria se vocês aqui estivessem. Reconhecem semelhanças e lá desenrolam histórias de tempos idos. Olha, afinal enganei-me. Não te trago só no pensamento, nítido, como no último verão em que festejei nesta casa os meus anos, em que tirámos uma foto a três e, involuntariamente, a guardo como o último registo de alegria. Guardo-te no coração, na alma, no sangue. E é assim que sobrevivo a esta saudade. Um beijo doce. Fica bem. Eu também ficarei. Prometo. [promessa da pequenina que já é grande]. E, já agora, Parabéns! Beijo doce. Tua.
[Lixei a bateria do teu carro, mas já resolvi o assunto e comprei uma nova! Vês como já sou crescida?]

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Uma tarde com o Sr. Zé


OK. Não há volta a dar. Os eclipses devem mexer mesmo connosco e, no meu caso, como padeço do fenómeno da antecipação, toca-me mais cedo. Depois de uma noite mal dormida [que esse mal toca a todos, my friend, e também acordei com olheiras!], arrasto-me para fora da cama e ultimo os preparativos de mais uma viagem ao Sul. [Esse Sul que um dia merecerá um post, virtualmente falando.] Muito senhora da minha vidinha, começo a levar os bagulhos [traço muito vincado e a necessitar de reforma urgente!], e eis que, quando, ingenuamente, pretendia levar o carro até à porta, dou à chave e oiço um gemido. [Não. Não foi de prazer!] Como é meu apanágio, a primeira reacção foi negar o cenário que se impunha. Nova tentativa e mais um gemido. [ehehehe. isto dava outro post!] A realidade abateu-se, implacável. Nada de bateria. Sumira-se, durante a noite, sabe-se lá para onde e por que motivo. Respiro fundo. [Agora ando numa de respirar assim, antes de partir para a violência.] Regresso a casa, volto a subir com o dito bagulho, que era só o trolley e ligo ao mecânico, - que, por acaso, tinha andado a meter óleo na véspera e, se calhar, também meteu água -, a fim de confirmar o meu diagnóstico. Bingo! Do outro lado da linha: Então é mesmo a bateria. E mais nada. Nem um simples: precisa de ajuda?. Nadinha. Respirei duas vezes bem fundo. Desci. Nova tentativa. [sou um pedacito teimosa, coisa pouca.]. Olhei em volta e pensei que, talvez, precisasse de ajuda para carregar a dita com os cabos que eu tinha na bagageira. [tão prevenida...] Presenças na rua só uns trolhas. Algumas dúvidas. Um telefonema e digo que já não vou ter com eles, porque blábláblá e se podiam vir e ajudar-me, blábláblá. Subo. De repente, apeteceu-me partilhar esta agrura da vida. Mais uma chamada. [abençoados telemóveis]. E derramo-lhe em cima as minhas odisseias. Aquela alma presenteia-me com um Vou chamar o meu pai!. Nem resisti! Algum tempo depois oiço as buzinas de um casamento na rua. Não, afinal era só o Sr. Zé! Desci a correr, enquanto a cerimónia parecia continuar. Fomos até ao carro que ali permanecia como que sem alma. Quer dizer, Eu fui até ao carro, porque o Sr. Zé continuou no dele a descer a rua. E lá vou eu de cabos na mão atrás do seu carro!!! É aqui! É aqui! Ufa. Já diante do bichinho, e depois de alguns esforços a posicionarmos os carros, iniciam-se os episódios para colocar os cabos. Estes são pequenos. Vou buscar os meus. Afinal, não, pomos os teus! STOP! Vou colocar umas luvas, diz-me com ar solene. Desaparece-me e oiço-o a falar com alguém junto à bagageira. estico o pescoço e vislumbro uma mulher. Juro que pensei: Estou lixada! Agora apareceu-lhe uma conhecida, metem-se à conversa e nada da bateria! Resolvi marcar posição e aproximei-me numa de pressão psicológica. E eis quando o oiço: Chama-se S? Não se chama, pois não? Eu perguntei à S se queria luvas!. A boa da mulher lá se desculpou e afastou-se. O Sr. Zé olha-me com a expressão: Estes romanos são loucos! (sendo que nós somos os gauleses! Ele o Astérix, claro.) Cabo ali, cabo aqui. Não te esqueças: o vermelho é positivo, o preto negativo. Se fizeres ao contrário dás cabo disto tudo, ouviste? Ouvi, Sr. Zé! Mas nunca consigo decorar! [não insista. Sou mesmo uma caso perdido em muitas coisas...] Deixa lá, aprendes outras coisas, rematou generosamente. Dou à chave e o carro animou-se, tal como a minha alma! Estava eu numa de acelerar, quando surge mais uma personagem. Um mirone aproxima-se e deixa uma postinha de pescada: Está difícil, não é?, disse com aquele ar clínico dos cromos que não têm nada para fazer e surgem em cada canto, de mãos atrás das costas. O Sr. Zé lá respondeu qualquer coisa, só para não ser indelicado. Mas a criatura não estava ali em vão. Tinha uma missão. Isso não pega assim. Muita gente acha que pega, mas eu sei que não pega. Olhei para o Sr. Zé e presenteámo-lo com o silêncio, apesar de ter vontade de lhe gritar: Xôôôô! Toca a circular! Desempata-nos a loja!!! Pareceu-me ouvir uma rosnadela por parte do pai da minha amiga, mas não percebi. O que quer que tenha sido funcionou, pois o cromo deu à sola mais o seu ar clínico. Lá fomos dar uma volta para ver se a bateria recuperava. Acho que foi a 1ª vez que o levei a passear... não que estivesse sereno, pois não largava a porta... Já de volta disse-me: Encosta e desliga. Não é melhor ser mais perto do seu? Não. Encosta. Obedeci, claro. Estava diante de uma autoridade na matéria. Agora liga. Era o ligas! Nada desta vez. É que nem o gemido! Lá fomos com o carro a obedecer ao declive e ... clic, dou à chave e ,desta vez, ainda deu. Impôs-se a decisão: preciso de bateria nova! Depois de um leque de ofertas que o Sr. Zé sacou do bolso, cuidadosamente escritas num bloquinho de contactos, a opção foi tomada e lá o segui até ao mecânico-vendedor-de-baterias-electricista. Felizmente tinha o modelo, mas ainda tive de optar por um conjunto. Como sou abastada,trouxe a de marca e voltei feliz, não sei antes largar umas dezenas de euros e trazer o meu brinde. Regressámos ao ponto de partida e despedimo-nos. "Muito, muito obrigada, Sr. Zé!" "Nada filhinha. Estive ocupado, não vês?! Faz boa viagem e tem umas boas férias!""Obrigada!" [Coitado do Sr. Zé, de mim não se livra mais. Gravei o seu n.º no meu telemóvel!]

[Por razões óbvias foram omitidos alguns termos vulgarmente utilizados em situações desta natureza. É de todo o interesse proteger os nossos colaboradores.]

domingo, 10 de agosto de 2008

Bibibi

Pronto, my friend! Este é para ti. Tenho a certeza que te falei deste espaço, mas, se calhar, é melhor acrescentar um quase. Por causa da idade, 'tás a ver? É que a minha memória começou a criar umas rugazitas... [muito suaves, note-se! Praticamente só eu me apercebo... Como quando tenho de ir às Finanças mas dou por mim no Centro de Saúde! E não, não são ao lado um do outro...] Bem, lamúrias à parte, fazes-me falta. Fizeste ontem e fazes-me todos os dias... As conversas, as borgas, mas, olha, também os silêncios. Aqueles em que nos instalamos depois de breves reflexões acerca de tudo e mais alguma coisa. Tão bom esses silêncios, mesmo quando guardam lágrimas, sonhos, angústias. E, pelo meio, um gole e o fumo a subir, como desejos que aspiram à realidade. À noite, no teu terraço, sob o céu da Invicta ou diante do Tejo [não vou incluir as Bombas, 'tá bem?!], crescem conversas e trocas de coração. Partilhas. Descargas. Emoções à flor da pele... E, depois, para além do passado partilhado e do presente, - que quase nos impede de parar -, existem aspirações e sonhos. Os projectos... para quando colocá-los de pé?

sábado, 9 de agosto de 2008

O Segredo do meu Cuscuz

Já as tenho. Mãos na minha. Os corpos a pedirem um abraço que não cesse. Novidades. Brincadeiras. Esfregam-me os braços, a cara, o cabelo. Ganas! Liberto as mãos que lhes percorrem a pele, entre perguntas e beijos. Ficas aqui a tarde? Não posso, mas encontramo-nos mais logo, ao jantar! Eleva-se uma voz: Não te esqueças da minha vela! Não. Não me esqueço. Nem da cara da senhora quando lhe pedi três velas: 377! Corro para fazer tudo. E se estava cansada. Quase adormeço em frente à Jaqueline e a toda a gente. [por favor, não me perguntem quem é a dita!] Nem as revistas ajudaram, na verdade exerceram o seu efeito sedante... Levanto-me e corro até casa. "Arrasto-me" é talvez a expressão mais correcta. Dois dedos de conversa e aninho-me na cama. Meia hora depois já estava a pé, a tomar um duche e a arranjar-me para um jantar que, afinal, era para ser amanhã, não fosse o meu! Coitadinha da minha amiga que é uma "senhora muito velhinha"! [Pensas que não sei que tu não querias era gastar dinheiro e ir comer a casa? A mim nunca me enganaste! Ainda nos rimos um bocado... se não te ligasse, irias jantar sozinha por mim? Eheheh!!! Tira férias, miúda!] Lá se comeu. E bem! Também se bebeu, claro. Um nadinha... Risos e gargalhadas com fartura!!! Horas depois, nós outra vez. Mais fotos. Mais novidades. É tão difícil esvaziar as saudades. E pronto! Já tinha de lá dormir! Calma. Temos tempo. Então fazemos uma Festa do Pijama! Ok! [confesso que a ideia me suscitou entusiasmo...] Lista dos comes e bebes. Lista das músicas. Lista dos jogos. [tão querida! Foi buscar o livro!!! O meu.] O que vestimos? Mau! Não era uma Festa do Pijama?! Não será adequado, por acaso, levarmos o dito já vestido? Ah, sim, esqueci-me! E o sorriso a rasgar-se!!!! Fico a olhá-la e dou comigo a tocar a eternidade. Observo a lista. Preocupa-me que tenhamos de comer tanta coisa... Aliás, preocupa-me que possa vir a comer tanta coisa! Finalmente lá seguem para a cama. Onde irão buscar energia para estar acordadas mais de 24 horas? Uma incógnita. E com esta vou dormir, pois ficou a promessa de ligarem ao acordar...

Conversações a 4 de Agosto

Pronto. teve mesmo que ser. Por mais que adiasse e me limitasse a pensar, não dá. Nem sempre é possível. Tenho esta necessidade. Preciso mesmo de um papel, um teclado, o que for... mas deixem-me registar. [Se calhar é um secreto desejo de eternidade, diria um qualquer ilustre mestre da psicanálise. Seja.]
A cabeça tenho-a a mil! [what's new?! vontade de estar onde não estou. Variações, desta vez minhas...]
[que bom! um raio de sol atravessa a janela e ilumina o papel, neste final de tarde em direcção ao sul, como faço há tanto tempo!]
Busco soluções. Monto e desmonto cenários em busca de uma chave que ponha termo aos meus problemas. Escusado será dizer que não sou bem sucedida nesta árdua tarefa. Primeiro, porque não são problemas de resolução imediata. Depois, porque, - [é bom que me lembre disto de vez em quando!] -, nem tudo está na minha mão! [já tínhamos chegado a essa conclusão, S.M.!]. Coitado, nem ao pequeno anjo, que me sopra ao ouvido "relax. sossega. desliga!", eu tenho dado ouvidos, tão mergulhada estou nesta agitação. O.K. Vamos lá parar, menina! Os dois últimos anos foram dose! E que dose. E, possivelmente, até ao fim deste não será fácil! Aguenta-te e enfia na cabeça, de uma vez por todas, que tens de relaxar. [certo, há contas para pagar... é preciso assegurar compromissos...], mas vive um dia de cada vez. Afinal, já o fizeste em ocasiões bem mais difíceis!!! Close your eyes. [o sol insiste.] Este ano é assim. Respira. Para o ano farás a viagem. Aquela!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Celebração de vida

Mais um! Bolo, vozes, beijos e abraços. O Sul e, nele, uma família que é minha. Crianças, risos, brincadeiras. O Sul... onde tenho um lugar e onde cabe sempre mais alguém. Percorro os olhares. Num canto, observam-me rostos que nada precisam dizer para saber o que lhes vai na alma. Enche-se-me o coração. Respiro fundo. Diante de mim, a presença de um mano maravilhoso que, no seu silêncio, renova os nossos laços. Um olhar. Um gesto. E tudo lá dentro. De repente, vocês. E sinto sobre a minha cabeça o vosso olhar. A alma aquece. Respiro fundo outra vez. Apetece-me esticar a mão. Obrigada por esta suave presença. Quase vos vejo. Só pode ser assim. Um quase em ver. E no rosto dos outros, onde as semelhanças se apuram com o passar dos anos. - dizem-me que estou cada vez mais parecida Contigo, e agora precisava mais de continuar antes parecida conTigo... -. E também neste pátio, onde gozámos tantas vezes o verão e o sol. Amanhã virá o resto de mim e seremos mais. Seremos os cinco. "Porque seremos sempre cinco enquanto um de nós existir." Pela vida, obrigada. Por nós, mil vezes obrigada.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Pssssiu! Sim, é para ti.

Não. Não fico chateada. Queria mesmo recordar-te que ando por aqui. Às vezes, é certo, meio distraída, mas acredita que te guardo dentro. Não sintas remorsos de ausências vividas sem querer. Abrir as comportas a sós também faz parte da vida, e todos passamos por isso. De qualquer modo, queria só lembrar-te que, com ou sem álcool, a abrir o meu carro ou outro qualquer, continuarei a ser eu. Euzinha. Com todas as minhas nóias e prometo ultrapassá-las, para assim te deixar os senhores dos carros bons!!! Eheheh! Fiquei espantada com uma coisa: dizes que te levantei com "Há preta e verde!", e, na verdade, depois de te sentir em equilíbrio numa corda, pesou-me a consciência com a minha futilidade!!!! Tão diferentes as formas como às vezes sentimos as coisas. Mas, aceito que te ajudei a limpar o sal. Venham daí mais futilidades!!! Que se lixem os preconceitos e, com eles, - já agora -, os princípios!!! ;) Um brinde àquele dia que não consigo marcar no calendário. Na verdade, nem sei se foi no Centro ou na rua. Só sei que, na época da Carbeta, já o éramos há muito. Lá e no Mini-Grula! - Oh! God!!!. Canções até às tantas. Mímicas. Conversas profundas sobre tudo, porque não somos muito de permanecer indiferentes. Análises. Opiniões. Entusiasmos. O exibir da nossa inatingibilidade! Tudo. (claro! ultrapassados os cheiros, pouco resta...)

Sweet friend


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
(Ricardo Reis)




Isto é apenas uma pequena parcela do que te desejo. Na verdade, tenho imensas coisas para te dizer, mas temos tempo. Quero acima de tudo que confies em ti. Que continues a olhar à tua volta e a admirar a beleza de cada coisa, de cada pessoa e de cada momento. Não deixes nunca de pensar e sonhar. Aos teus medos, recebe-os, escuta-os e, depois, pede-lhes que sigam caminho. Aprende o que te for ensinado. Absorve esta aventura. Eu estarei aqui para te escrever, ouvir e falar-te. Vê se instalas o Skype!!!! Um xi-coração enorme, com toda a ternura da Nóni.


segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ah! Que maravilha!

Olha, e não é que curti a cena do baile?! Setecentista ou oitocentista, tanto faz. O importante mesmo é desfilar com vestidos de sonho, a exibir os longos cabelos, cuidadosamente penteados. Quando disser isto à minha pequenina grande vai estremecer de felicidade, sobretudo com os convidados! A única questão é que está para casar e já tinha definido o vestido ideal. Estou a imaginar os seus olhos a brilhar! Certamente não se importará de adiar a boda. Afinal é por uma boa causa! Nós é que teremos de recorrer a alguns artifícios: venham daí a base e o pó compacto! Ao fim e ao cabo estaremos a concorrer com três beldades e nós, se um dia fomos inatingíveis, hoje somo-lo por razões diferentes. Não interessa... assim como assim os presentes estão mais próximos da nossa faixa etária.... Diz-me, agora, como convenço a pequenina mais terra-a-terra a embarcar nesta fantasia? Eu bem posso falar-lhe no Palácio de Queluz, ou no da Pena, - se bem que Óbidos não me parece nada mal -, mas já estou a imaginá-la a esboçar um sorriso caridoso, fazer-me umas ganas e dizer "Era giro, era. Agora vamos para o Algarve?". E iremos, enquanto eu fico a preencher os detalhes desse baile magnífico e repito, como o teu pequeno ser, "Ah! Que maravilha!"

domingo, 27 de julho de 2008

Reflexões com pano de pó (já não avulsas)

Nestes dias em que me impus as limpezas de verão e até dei um toque de bricolage, - há coisas do caraças (!)-, dou por mim a arrumar-me também por dentro. Opções a tomar. Perspectivas a descobrir. Levantar os ânimos. É tempo de esvaziar-me de alguns sentimentos e reciclar emoções. Tempo de limpar o areal. Tempo de me preparar, acaso as mudanças regressem. Não costumo apreciá-las, mas elas adoram-me. Nem sempre são más, mas convenhamos que as últimas, e mais profundas, não deixaram boas recordações. Por isso, desta vez, quero fazer de conta que estou preparada, ainda que saiba que vou ficar ansiosa, ter medo, achar que é o fim do mundo, chorar, levantar-me e por aí fora. Neste momento, sinto-me assim. Bem, andava eu em limpezas e arrumações, e não pude deixar de me pôr a pensar, - este vício é diabólico -, e toca de visualizar os últimos tempos numa enorme tela branca, que o meu cérebro guarda não sei como. Felizmente, surgiram-me cenas fixes. Os miúdos, todos eles. A 1ª turma! Éramos tão jovens!!! E todos os outros. Que sorte tenho tido. As aulas e as visitas de estudo. Acho que fico sempre mais excitada que eles nestas visitas. As gargalhadas com colegas e outra vez entre alunos. Que sabor a recordação de cada uma das horas a ensinar e a aprender! E, claro, não podia deixar de ser, os amigos. Primeiro, meros colegas de profissão. Depois, malta simpática, com quem se criam empatias. Todos tão diferentes quão importantes. Vejo o rosto de cada um. Hoje são gente que trago comigo, me faz sorrir e me renova a certeza que tive na primeira vez que pousei em terra estranha: o melhor de tudo é conhecer pessoas. E que bom que é quando elas valem mesmo a pena. Cresce o meu álbum e nele entra mais um bébé.