quarta-feira, 7 de junho de 2017

O Sorriso

Creio que foi o sorriso,
0 sorriso foi quem abriu aporta.
Era um sorriso com
muita luz
lá dentro, apetecia entrar nele,
tirar a roupa,
ficar
nu dentro daquele
sorriso.
Correr, navegar, morrer
naquele sorriso.
Eugénio de Andrade

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Há muito que não venho aqui.
Tenho pensado muito em ti nas últimas semanas. Com os dias luminosos e maiores, já nos teríamos atirado para uma esplanada qualquer. Vejo-te com os teus óculos de sol a receber os raios de sol. O teu sorriso branco. Encontro-te nestas recordações que não o chegaram a ser. Ralho-te. Zango-me. Quase te oiço. E deixo cair mais algumas lágrimas, porque o coração precisa libertar esta quantidade de sal. Tenho saudades de ti, minha querida. Imensas.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Diz-me lá, Amiga, outra vez, que a Vida é maravilhosa, mesmo quando não nos é doce. Que às vezes nos esvazia, mas também nos enche. Repete-me ao ouvido, por favor.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Um ano sem ti. Um ano a desejar que isto não passe de uma mentira. Um ano inteiro a pensar em ligar-te. Um ano inteiro cheia de raiva. Dias e dias a querer tomar um simples café contigo. A desejar encontrar-te já sentada, à minha espera, a ver-te sorrir. O teu sorriso. Grande como tu.
As palavras são inúteis. Não consigo (d)escrever nada. Fazes-me falta.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

 Ontem fez um ano que ouvi a tua voz pela última vez. 

terça-feira, 17 de maio de 2016

11 meses

Passaram-se 11 meses desde a tua partida. Onze meses. Onze meses, e a vida a insistir. Os dias nasceram, surgiram as noites, marcaram-se encontros, almoços, jantares. Onze meses sem ti. Onze meses e parecia que a dor se arrumava. Mas não se arruma. É uma cabra! Escondida, fechada, surge de repente e insiste em gritar a sua existência e repete que não é possível. E a tua ausência agiganta-se e desfaz-se em sal.

terça-feira, 13 de outubro de 2015


Sinto tanto a tua falta.

domingo, 9 de agosto de 2015

O telefone tocou cedo demais. Passava pouco das duas da madrugada quando vi o nome do teu amor no visor do meu telemóvel. Do outro lado, não  ouvi a sua voz.  Não  repito as palavras da voz que me falou, porque não  sou capaz.  Sei apenas que desliguei para de novo atender e voltar a ouvir as mesmas palavras que não  consigo  repetir.

Fizemos tudo o que os amigos fazem. Conversámos horas a fio sobre tudo o que nos moldou. Rimos intensamente apenas porque tivemos vontade. Com a mesma intensidade, deixámos o sal escorrer pelo rosto e, em abraços de esperança, secámos as lágrimas para cada recomeço. Cantámos à tua janela, com uma vassoura a fazer de microfone, numa quaquer noite em que o meu regresso a Lisboa tinha paragem obrigatória  junto a ti. Dissemos o quanto éramos importantes na vida uma da outra. Ouvi de ti sempre a verdade, a que me soube bem e a que me fez crescer. Partilhámos segredos, olhares, fragilidades, às vezes apenas o silêncio. Sei que fizemos tudo o que os amigos fazem. Acredito nisto com uma certeza inabalável. E, com a mesma força, sinto que muito gostaria ainda poder construir contigo.

sexta-feira, 24 de julho de 2015



Hoje resolvi dar voz às palavras que se atropelam. Procurei-te na matéria disponível, mas é cá dentro que continuo a encontrar-te e onde mais falta me fazes. Devia haver uma maneira para regressar disto tudo. Fazer um stop, recuar e começar de novo. Repetir até onde é bom, até onde se aguenta, para depois saltar o exacto momento do caos e regressar à linha da continuidade. A partir dela desenhar novas letras e fazer frases de conversas soltas. Deixar a linha desenhar novos dias, e neles poder repetir o abraço, o riso, o beijo sem razão. Desenhar também os dias da ausência que se aguenta, a ausência simples de quem não está aqui, mas está já ali, à distância de um telefonema, uma mensagem ou até de alguns quarteirões. Repetir-te a história do ADN que a ciência nunca saberá explicar. Ouvir-te responder num alinhamento de palavras que só tu sabias fazer ("Gosto muito de ti em mim"). Abandonar a seriedade e deixar o riso solto transportar-nos para o disparate, mesmo que, mais à frente, um qualquer registo nos fizesse mergulhar em lágrimas. Não faria mal. A linha desenharia essas lágrimas, e eu envolver-te-ia no meu abraço ou, se ao contrário fosse, encostaria a cabeça no teu ombro ali exposto. E depois deixaríamos que o aparo desenhasse outro amanhecer, com notas alinhadas numa melodia e ritmo que aprenderíamos a dançar. Fosse qual fosse o desenho, não poderia era ser em traço descontínuo, porque isso nunca fez parte do tudo que trocámos.

E as palavras continuam em colisão. E voltou a nascer um grito que não se solta. E eu procuro o aparo para reescrever e não o encontro. E cresce a dor e o sal e eu não sei como arrumar tudo outra vez.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Nunca um dia de Junho amanhecera tão amargo.

terça-feira, 19 de maio de 2015

mãe

a verdade é que os anos passam mas há momentos em que qualquer energia me atira para ti. um retrato, uma música, um simples prato. o silêncio. e não consigo impedir que o sal volte aos olhos e que o estômago arrefeça. e parece até que sinto o frio cortante daquele dia em que te arrancaram de mim. o dia em que fiquei mais perdida. o dia em que me senti na mais profunda solidão. o dia em que nenhuma palavra me aqueceu. o dia em que deixei de te ouvir. o dia em que qualquer coisa cá dentro se apagou, se partiu. o dia em que me senti rasgar. o dia em que mais precisei de ti, o dia em que quis gritar e não consegui. o dia em que o meu corpo se dobrou. uma dor ao centro. o teu colo perdido para sempre. o teu cheiro. a tua voz. os dias que ainda tínhamos para inventar. o tecto branco do meu quarto. e só me apetecia pedir desculpa porque parecia um castigo qualquer de tão grande que era a dor. e nesse dia, tu sabes, meu amor, que morri também um bocado. nesse dia, não mais podia dizer a palavra mãe. e eu precisava tanto e quis tanto repeti-la desde aí. o dia em que fiquei sem saber o que fiz de errado. o coração em sangue. onde é que estás que me fazes tanta falta, mãe?
(2013)
Hoje decidi vir aqui. Muito de vez em quando o faço. Espreito. Leio. Releio. Quase sempre recordo as razões que desenharam as palavras. Depois de tanto tempo, percebo que a vida mudou. Muito. Ultrapassei obstáculos gigantes, às vezes com saltos enormes, outras vezes, contornando-os. Sempre com esforço. Frequentemente com lágrimas. Brindei a alegria, a vida, as pessoas. Hoje, decidi vir aqui. E gostei desta sensação.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Para sempre criança diante dos teus olhos

Nesta altura terias já tentado descortinar o meu desejo de prenda de anos. Nesta altura estarias a pedir aos meus irmãos sugestões para esta filha tão exigente. Exigente e possivelmente aborrecida por deixares para o fim a compra do meu presente. [não fomos sempre os dois assim? Ou todos. Talvez a Mãe não.] E também indecisa, na escolha do melhor presente para me ofereceres. Como se fosse uma criança. Desculpa, eu sei, foi um lapso, é mais correcto assim: "como a criança que sempre fui, porque sempre permitiste que o fosse". E é isto que te agradeço, do mais fundo de mim: a possibilidade de poder ter sido sempre criança diante dos teus olhos!

(e agora, deixa-me fechar os olhos e aninhar-me contigo no sofá da sala e ouvir-te dizer: "ó filhota...")

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ontem

Ontem foi dia de sair convosco e voltei a saborear o prazer de vos ver descobrir. Descobrir pela experiência e pelo olhar. Descobrir paisagens, rostos, modos de vida. Aprender de uma forma diferente, sem as quatro paredes que nos impõem e onde diariamente nos encontramos. Vi, com um prazer difícil de descrever, o vosso olhar atento, entre conversas e brincadeiras despropositadas. Ouvir-vos questionar, procurar saber mais. E esta energia trouxe-me à memória o primeiro dia desta aventura que é ensinar. Lembrei-me de rostos e vozes dos muitos que já tive comigo, e senti uma alegria doce por poder estar convosco.
E percebi que há lições que não aprendi ainda. Nos últimos dias passei de um estado de doce alegria para um quase descontrole que me deixou muito triste, perdida e ansiosa. Tive consciência de cada um destes estados e tentei respirar fundo, pensar no que já vivi e aprendi, mas a raiva foi surgindo e alojando-se cá dentro. Quanto mais ela crescia, menos conseguia acalmar-me. Mais, tinha vontade de agredir na mesma proporção. E por mais que me esforçasse para regressar à doce alegria, a verdade é que a tristeza e a raiva se multiplicaram e eu chovia no escuro. É um facto. Há lições que ainda não aprendi. A inveja e a mesquinhez perturbam-me mesmo muito.

terça-feira, 19 de março de 2013

o livro que te fez rir

há precisamente um ano atrás comprei um livro para te oferecer. mandei embrulhar e quase me lembro de te ver rasgar o papel com algum cuidado enquanto dizias ó filha, para quê!? não era preciso. eu sei, pai. mas eu quis. vê se gostas. observaste o livro e disseste que sim. que ias gostar. lembro-me de querer ouvir da cozinha as tuas gargalhadas entoadas na sala. de te sentir aproximar para leres uma parte do livro, mas não conseguias parar de rir e seguravas a ombreira da porta com a mão. e com a outra esticavas-me o livro aberto para que eu o lesse. e eu sabia que estavas a gostar pois o teu riso não deixava margem para dúvidas. e tu insistias para que lesse a próxima história. que ainda era melhor. e eu dizia para leres tu. que depois eu lia. e tu ias corredor fora até à sala e rias mais alto porque a história seguinte era mesmo mais engraçada. e depois chamavas-me e perguntavas onde tinha eu desencantado aquele livro, como se tivesse sido um gesto de génio (o meu, não o dos autores). e eu respondia que tinha sido uma colega que mo tinha mostrado. e que eu sabia que irias gostar. e depois ficávamos um bocado a falar dos autores e a rir em conjunto.
lembro-me de tudo isto hoje, um ano depois de nada disto ter acontecido. e continuo a ouvir o teu riso.



domingo, 18 de março de 2012

Dar-te-ei um livro amanhã

Porque hoje, parece-me, iria sair para te escolher um livro. Mesmo que aos pedidos de sugestões, tivesses respondido qualquer coisa ou até mesmo nada. Ainda assim, tenho a certeza que te daria um livro. Adoravas livros. Às vezes chamava-te e não me ouvias de tão mergulhado que estavas nas palavras. Se calhar vou comprar-te um livro à mesma. Amanhã desembrulho-to com solenidade e leio-to um bocadinho. Todas as noites, até se esgotar a última página.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

seiva



Surgem palavras avulso incapazes de um todo harmosioso. Os pensamentos atropelam-se, depois de alguns dias de angústia. Misturadas, horas de esperança obrigaram a relativizar tudo, a acreditar, a rasgar sorrisos por dentro. Num simples desejo que tudo corra bem.

...

A vila inteira estava a dormir. Nada perturbava a noite. Pensou em chamar a mãe. A voz saiu-lhe desconsolada, infantil, e teve de chorar outra vez. Pensou em muitas coisas e, com o tempo, sentiu-se diminuir até ser menos do que uma pedra, um grão de pó. O medo gelava-lhe as orelhas, a ponta do nariz, as mãos, os joelhos e os pés. Não conseguia sair de dentro do tempo. Fechava os olhos, mas sentia um choque de medo e voltava a abri-los muito de repente.

(JLP, Livro)

(sempre intenso)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

c@§!!*@!

Quase a quinar. Quase.