Ouvir o vosso riso e rir convosco.
A música.
As conversas.
Sabe cada vez melhor estar convosco, mesmo que me sinta um nadinha "cota".
domingo, 30 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
minúscula
e hoje senti-me minúscula. saí de casa, crescida, ao teu encontro. juntos, caminhámos em direcção ao rio e saboreámos (eu, pelo menos) a luz que torna esta cidade especial. a conversa a escorrer. eu a contar-te pormenores de um assunto tão martelado. tu a escutares. eu a dar-me conta que, por mais que o tempo passe, será sempre um tema que me traz alguma dor. e a luz a entrar pelo vidro, preocupada em aquecer-me a alma. lá fora a tua voz. a partilha de uma dor que te esforças por digerir. sem julgamentos. apenas saudade e impotência. admiro a serenidade das tuas palavras. surpreende-me. e, se calhar, foi isso que me fez sentir minúscula. ver-te embalado pela vida... eu, que nem sempre fui capaz de me deixar embalar. que bati o pé. gritei e me atirei para o chão, mesmo que isso me rasgasse ainda mais. e, depois, o almoço. a sensação de que começámos lá atrás, sem vislumbrar como seriam os anos seguintes. sem pensar onde nos levaria a aventura da nossa entrega. sem saber se estaríamos sempre uns para os outros ou se a vida nos levaria para longe. a tua boca a dizer uma palavra que não escutava há anos. e isso a recordar-me que um dia foste pequenino e muito amado nesta casa. e que eu, afinal, fui crescendo contigo, porque antes de ti e antes de mim, existia quem estivesse de braços abertos.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
para ti e pelo D.
seria uma dor nova se não fosse conhecida. custa-me porque havia toda uma vida para viver. porque havia dias para saborear e outros mais difíceis. uma mão cheia de anos para crescer, para rir e também chorar. custa-me porque o abismo foi maior. custa-me porque o sabia especial ou não te seria tão importante. dói-me porque esse abismo também te tocou, porque, também em ti, a vida está só a começar. uma dor que não me pertence mas trouxe um cinzento novo, igualmente doloroso: atingiu-te a ti. e isto custa. saber que experimentas um vazio destes deixa-me sem saber o que fazer. porque não posso pegar-te ao colo e levar-te para o meio dos tons mais claros. porque não consigo gerir os dias para que os teus nasçam somente luminosos. e queria tanto. hoje especialmente. e então tive vontade que voltasses a ser pequenino e pudesse ir, de mãos dadas contigo, passear ali abaixo, observar as formigas, falar das árvores e das flores enquanto um vento suave te agita os caracóis. hoje não consigo. podia dizer-te muitas coisas. dizer-te que as pessoas que amamos não se perdem. que os olhares, o riso, a magia da cumplicidade é uma extensão da sua vida. mas sei que nada disto, hoje, será importante. sei que nenhuma destas palavras conseguirá libertar o grito que tens aí dentro. nenhuma delas será capaz de atenuar a dor. ainda assim, de mãos vazias, estou aqui.
domingo, 18 de abril de 2010
rumos
Às vezes, parece-me que vejo, com uma clarividência momentânea, as pedras que constroem o meu caminho. Como um flash, que dispara sem aviso, e me permite ver e não apenas olhar. Hoje tive um desses momentos. No meio de tantas vozes estranhas, em corredores enormes, entre paredes erguidas que os séculos permitiram trazer de pé, um breve disparo de luz iluminou o que tenho sob os pés. E percebi que me encontro a percorrer uma estrada que pensei já percorrida, embora saiba, racionalmente pelo menos, que as estradas são diferentes entre si. Compreendi que nada está concluído e que a vida é um constante recomeço. [Foi sempre assim convosco. Por que razão seria diferente comigo?]. Percebo agora a necessidade de construir e a premência de um entusiasmo e de uma esperança que não tenho encontrado dentro de mim, ainda que me sejam tantas vezes soprados pelas vozes que me acompanham desde há muito e pelas que se cruzam e se fazem companheiros de viagem. Nas marés que me pertencem, vejo-me ora a nadar ora a boiar, sem vontade de contrariar a corrente.
A., lembro-me que, naqueles momentos em que, com paciência, tentavas ensinar-me a tua ciência, dizias que há diferentes tipos de maré e que sabias sempre quais as que trariam mais peixe. Ainda assim, levantavas-te firme, madrugada após madrugada, e partias para mais um dia no mar. Regressavas, por vezes, feliz e orgulhoso. Outras vezes, via-te chegar de rosto carregado, zangado mesmo, de bolsos vazios, enquanto depositavas sobre a mesa o peixe para esse dia. Lembrei-me disto a propósito das correntes das minhas águas. Lembrei-me, porque, na densidade da noite, vi um clarão que me mostrou um mar enorme à minha frente. Um mar agitado. Sobre ele, dança a minha barca, em dias curtos e noites enormes e silenciosas.
Sabes como lamento não ter aprendido quase nada da tua ciência. Não sei reconhecer quase nenhuma maré nem distinguir os ventos, a menos que seja a óbvia "nortada". Só consegui aprender a remar e a nadar e sei que isso me basta.
sexta-feira, 19 de março de 2010
alunos e mestres
Eu tenho um aluno crescido. Muito crescido. Um aluno que, em Setembro, se sentou nas cadeiras dos mais novos para me ouvir. Disse-me que queria aprender mais. Observei-lhe as rugas do rosto, os poucos cabelos brancos e enchi-me de ternura, ainda que tivesse a certeza que deveríamos inverter os papéis. Percebi-lhe, nas aulas, uma atenção invulgar, enquanto me ouvia. Bebia cada palavra com a avidez de uma criança de seis anos. Quando falava (poucas vezes) deixava a descoberto a humildade daquelas pessoas grandes, enormes. O meu aluno já acabou de aprender aquilo que as normas definiram. Levantou-se e abandonou a cadeira da sala onde nos encontrámos nos últimos meses. Mas, antes de partir, disse-me que é um rafeiro alentejano (palavras suas), que a vida moldou, magoou, agraciou e fez crescer. Disse que nasceu duas vezes. Disse que sabia o caminho que tinha de percorrer, mas que tinha ainda de melhorar muito. Disse que aprendeu muito ao longo dos seus 62 anos. Disse que aprende com os netos como aprendeu com o seu avô. O meu aluno já não é meu aluno. Creio que nunca o foi.
(O meu aluno crescido diz que aprender é uma luz que lhe ilumina o caminho e lhe permite olhar as cores bonitas da vida.)
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
reencontro
na previsibilidade das horas que escorrem, do desencontro das chamadas, oiço-te finalmente. e, porque connosco as coisas construiram-se sempre com impulsos e vontades, sentámo-nos à mesa para jantar e preencher com palavras os anos de ausência. risos, palavras evocadas e repetidas como se assim pudéssemos recuperar os momentos, construir os cenários... emoções à flor da pele. lágrimas, porque a vida transforma-se mas o coração continua a sentir e isso sabe tão bem. às vezes é só necessário que, do balão, se liberte um bocadinho do ar em excesso, mesmo que o mote seja uma manobra virtual.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A morte é a curva da estrada
A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
(F. Pessoa)
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
(F. Pessoa)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
...
não consigo escrever. quero. inicio. apago. porque nenhuma letra consegue trazer à luz do dia o que quer que seja, ainda que se faça acompanhar por outras tantas em busca de um sentido. talvez seja isso. a falta de sentido para esta sensação que vieste trazer: afinal tudo é solução. há sempre uma saída. e esta constatação dói, porque talvez seja preferível viver nos círculos das lamentações, pois que a isto nos habituámos desde sempre, ao invés de assumir um caminho que se quer, independentemente de tudo o resto.
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e dizes da escrita que podia ser, porque há matéria-prima, mas a tempestade contida não permite uma única gota, quanto mais a fértil produção de palavras. há terra suficiente para plantar, mas é uma terra privada. propriedade das memórias que ali se encenaram.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
queria...
eu queria aqui deixar palavras e votos bonitos para o novo ano. eu queria (ou, se calhar, não) ter feito o balanço do ano que larguei para trás (mas os balanços recordam-me contas e as contas recordam-me .... enfim...). na verdade, o que queria era ter vontade de escrever mais. de aqui colocar como foram ternas as horas passadas com as fadas dos sorrisos doces, mesmo quando a noite ia avançada e o seu sono tardava em chegar (ao contrário do meu). eu queria era dar forma verbal a estes laços que me prendem àqueles olhos, ao seu riso, e conseguir a façanha de os tornar palavra. eu queria saciar-lhes a vontade dos beijos de despedida e da necessidade da pele. eu quero aqui continuar. aguardar o próximo regresso para, soltas, nos perdermos no riso, alheias às horas e ao sentido das coisas.
domingo, 27 de dezembro de 2009
tontices
Mãozinhas!!!

Seis mãos encontraram-se esta noite. Duas grandes. Quatro mais pequenas.
As pequenas vieram dormir com as grandes. Primeiro foram jantar com mais mãos amigas.
Mãos com sorrisos grandes. Mãos que se dão em nome da amizade.
Mãos que brincaram. Mãos que desenharam. Mãos que gostaram de jogar. Mãos de pessoas doentes (hehehe...) e nervosas.
As seis mãos voltaram para casa. Encontraram-se no teclado e começaram a conversar.
Um par de mãos pequenas tecla as horas desta noite. Outro joga com a sua nintendo, enquanto fala sozinho. O terceiro par, o das mãos grandes, faz torradas e barra-as de manteiga. As mãos pegam nas torradas já prontas. Levam-nas à boca que as saboreia lentamente, só para tardarem em ir para a cama!
Mas nós não temos sono e queremos mais torradas!
E lá foram as mãos grandes fazer mais torradinhas! (as que as mãos grandes disseram que eram as últimas, por hoje...)
As mãos pararam de teclar e o ar encheu-se do som das torradas trituradas na boca.
Rápido! Caminha!
E lá foram as mãos, cabisbaixas, lacar os dentes.
Lacar?! Lavar!
Ok! Enganei-me! Estou a escrever só com uma mão, na outra tenho a torrada!!! Ok?!
Ok!
Cama!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
porque te trago dentro

Com cuidado, venho dar-te um beijo. De olhos fechados, sinto os meus lábios no teu rosto. A pele marcada pela idade que a Vida considerou bastar, sem nos pedir opinião. O teu sorriso a entrar-me nos olhos. O coração a aquecer. As saudades a encherem-se de sal. Desculpa, mas sabes melhor do que eu como é inevitável. Tu que atravessaste oceanos, ultrapassaste tempestades, choraste perdas e percorreste os caminhos necessários, em busca de um lugar onde pudéssemos estar bem, juntos. Sabes do que falo. Fecho os olhos. Não quero lembrar-me do que fez doer. Só quero sentir os meus lábios no teu rosto e o teu braço sobre os meus ombros. É por isso que me aproximo. Porque o teu calor continuará a aquecer-me o peito. Porque, diante de ti, continuarei a ser pequena (a tua). Porque a tua presença permanecerá em mim. Porque o tempo não tem capacidade para a silenciar. Porque acontece sempre isto com as pessoas grandes. Os meus lábios no teu rosto. O teu sorriso a encher-me. Eu, cativa por um segundo, num abraço da eternidade.
Madrugada

Passava pouco da 1.30 da madrugada. É 5ª feira. Dia útil, portanto. Nada de álcool. Sentadinha, na cozinha, a trabalhar ao computador, oiço e vejo (!) o frigorífico a estremecer. Primeiro pensamento: "Raio da gata que já lá está em cima!". Sai daí, M! Oiço-a miar e dou conta que está junto aos meus pés. Levanto-me, porque só podia ser o J., entalado atrás do dito electrodoméstico, sem conseguir sair. Achei que me tinha levantado demasiado depressa, porque me desequilibrei e a idade não perdoa (essa p.......!!!). Afastei rapidamente o frigorífico e vi que o J., afinal, estava encostado à amiga. Miavam. Felizmente, "consegui acalmar" o frigorífico. Os tremores passaram e ainda me ocorreu que tivesse sido um sismo, mas rapidamente achei que o melhor é deixar-me de excessos.... Hoje o mano diz-me que houve realmente um sismo e pergunta-me se o senti. Confesso que fiquei aliviada. Afinal não foi da idade. As pernas ainda não estão trémulas. Reúno alguma agilidade.
(há pouco, na sala, reparei que havia molduras e cacarecos caídos.... Nenhum dos últimos se partiu, infelizmente). A primeira prenda deste Natal também se manteve firme!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
estar

Sábado foi dia de estar com gente querida. Foi dia de passar a tarde na Praça, alheia ao frio que, ainda assim, não foi suficiente para arrefecer a alegria de vos ver. Sábado foi dia de encontrar rostos sem hora marcada. E, depois, a noite. O propósito de percorrer a serra e festejar a vida que se quer a multiplicar. A tua. (não vamos comentar a idade...) Deixar o coração derreter enquanto observo as gracinhas do dono do Sorriso Bonito. Rir, conversar, deixar que nos sacudam os ossos... (O álcool explica muita coisa...) Fazer parte dum grupo de gente graúda concentrada na "Aventura dos Vegetais"... Comentar a interpretação dos vegetais. Apreciar o entusiasmo que o enredo provocou.
Respirar o frio de uma serra que para mim é quente. Partir... para vos voltar a ver na tarde desse dia e perceber que, desde cedo, se nota que há pessoas que apreciam ter motorista, por mais tenra que seja a idade.
E, depois, ficar assim, com vontade de vos encontrar outra vez a todos, enquanto caminho para sul. Aqui ou aí. Não importa.
sábado, 12 de dezembro de 2009
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