quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

do Natal

Estou entre um misto de ternura, paz e saudade.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

porque te trago dentro



Com cuidado, venho dar-te um beijo. De olhos fechados, sinto os meus lábios no teu rosto. A pele marcada pela idade que a Vida considerou bastar, sem nos pedir opinião. O teu sorriso a entrar-me nos olhos. O coração a aquecer. As saudades a encherem-se de sal. Desculpa, mas sabes melhor do que eu como é inevitável. Tu que atravessaste oceanos, ultrapassaste tempestades, choraste perdas e percorreste os caminhos necessários, em busca de um lugar onde pudéssemos estar bem, juntos. Sabes do que falo. Fecho os olhos. Não quero lembrar-me do que fez doer. Só quero sentir os meus lábios no teu rosto e o teu braço sobre os meus ombros. É por isso que me aproximo. Porque o teu calor continuará a aquecer-me o peito. Porque, diante de ti, continuarei a ser pequena (a tua). Porque a tua presença permanecerá em mim. Porque o tempo não tem capacidade para a silenciar. Porque acontece sempre isto com as pessoas grandes. Os meus lábios no teu rosto. O teu sorriso a encher-me. Eu, cativa por um segundo, num abraço da eternidade.

Madrugada


Passava pouco da 1.30 da madrugada. É 5ª feira. Dia útil, portanto. Nada de álcool. Sentadinha, na cozinha, a trabalhar ao computador, oiço e vejo (!) o frigorífico a estremecer. Primeiro pensamento: "Raio da gata que já lá está em cima!". Sai daí, M! Oiço-a miar e dou conta que está junto aos meus pés. Levanto-me, porque só podia ser o J., entalado atrás do dito electrodoméstico, sem conseguir sair. Achei que me tinha levantado demasiado depressa, porque me desequilibrei e a idade não perdoa (essa p.......!!!). Afastei rapidamente o frigorífico e vi que o J., afinal, estava encostado à amiga. Miavam. Felizmente, "consegui acalmar" o frigorífico. Os tremores passaram e ainda me ocorreu que tivesse sido um sismo, mas rapidamente achei que o melhor é deixar-me de excessos.... Hoje o mano diz-me que houve realmente um sismo e pergunta-me se o senti. Confesso que fiquei aliviada. Afinal não foi da idade. As pernas ainda não estão trémulas. Reúno alguma agilidade.


(há pouco, na sala, reparei que havia molduras e cacarecos caídos.... Nenhum dos últimos se partiu, infelizmente). A primeira prenda deste Natal também se manteve firme!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

estar


Sábado foi dia de estar com gente querida. Foi dia de passar a tarde na Praça, alheia ao frio que, ainda assim, não foi suficiente para arrefecer a alegria de vos ver. Sábado foi dia de encontrar rostos sem hora marcada. E, depois, a noite. O propósito de percorrer a serra e festejar a vida que se quer a multiplicar. A tua. (não vamos comentar a idade...) Deixar o coração derreter enquanto observo as gracinhas do dono do Sorriso Bonito. Rir, conversar, deixar que nos sacudam os ossos... (O álcool explica muita coisa...) Fazer parte dum grupo de gente graúda concentrada na "Aventura dos Vegetais"... Comentar a interpretação dos vegetais. Apreciar o entusiasmo que o enredo provocou.
Respirar o frio de uma serra que para mim é quente. Partir... para vos voltar a ver na tarde desse dia e perceber que, desde cedo, se nota que há pessoas que apreciam ter motorista, por mais tenra que seja a idade.
E, depois, ficar assim, com vontade de vos encontrar outra vez a todos, enquanto caminho para sul. Aqui ou aí. Não importa.

sábado, 12 de dezembro de 2009

ASA



e foi isto...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

diz que é do brilho

o sono tardava e enquanto preenchia os minutos lá a vi "disponível". conversa aqui, conversa acolá, (primeiro as lamentações) e lá vem ela, outra vez, falar dos animaizinhos que são isto e aquilo. depois deu-lhe para a geomorfologia: as placas tectónicas, os abalos sísmicos e por aí fora. há pessoas assim. à noite dão asas à imaginação e é vê-las divagar na esfera da ciência.
Do what?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

time to sleep


e agora vou dormir.... já que...
... não há nada impossível, porque os sonhos de ontem são as esperanças de hoje e podem, converter-se em realidade amanhã.

daaaah!


e se de repente vos disserem: promenor, cornograma, rccv, runião, entre outras cositas más? Chato, não é? E, só para piorar, o distinto emissor for um coleguinha de trabalho? e, se, já agora, o coleguinha for um chefe?! hem?! há coisas lixadas...
(onde é que está o álcool?)

da ansiedade


é oficial: dá-me para escrever quando mergulho nas espirais de ansiedade. podia roer as unhas ou beber, mas basta de vícios (nem gosto de álcool). fico pela escrita, enquanto o sono tarda em chegar e a cabeça se empenha em desenhar os inúmeros se's... bem sei que seria mais útil - a vários níveis, diga-se de passagem - ir para o ginásio e gastar lá as energias. não seria preciso nenhuma modalidade muito agressiva. bastava uma cena qualquer de relaxamento, ao estilo do bodycombat... um murro aqui, outro ali. coisas leves. nada disso. prefiro andar aos círculos com uns mini soft cake fresquinhos (mais um vício...), enquanto treino a voz doce Fiquei preocupada. Triste. e mais blá, blá, blá, whiskas saquetas... Fuck it!
(acho melhor ir dormir ou ainda destruo alguma coisa por aqui...)
Se este discurso não resultar, resta-me pontapear alguém... há sempre uma saída!

sábado, 14 de novembro de 2009

nice to be with you


A noite e o rio mais bonitos. [e ele é sempre tão bonito]. a ponte mais curta [porque as vozes no caminho tornam a distância mais pequena.] a vontade de chegar. a casa, a sala, a varanda. vocês. de modo que é assim...esta noite soube-me bem. muito bem. [sabe-me sempre bem.] estar convosco. sem nada em especial. apenas o riso. a conversa. mais riso. um copo. e vocês. porque há momentos assim.

domingo, 1 de novembro de 2009

desejo

Foge-lhe a vontade. escapa-se-lhe, entre os dedos, o domínio dos sentidos. A pele acende-se. Das nuvens sopram os primeiros dias da estação mais húmida que fria.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bem-vindo!

Provocado por uma sms impaciente, oiço-te, finalmente, dizer Já está cá!. Uma onda de alegria percorre-me a pele, porque a continuidade da Vida sempre me fascinou e não consigo, nem tento, impedir que me comova, sobretudo quando ela é nossa. A tua voz permitiu adivinhar-te um sorriso meio palerma no rosto, enquanto repetias sucessivamente É fofinho! É tão fofinho! Mesmo fofinho!. Fizeste-me rir, apesar do sono inquieto - disseste-me duas horas, não seis!-, e de ser tão cedo. (Tão pequenino e já faz proezas!) Lá contaste pormenores de quem partilhou o momento e, num gesto aparentemente simples, entregou-o à Vida! Imagino-te a regressar a casa, de rosto luminoso, a reconhecer nas cores, daquele dia 20, tonalidades diferentes.
Parabéns aos papás babados! Bem-vindo, J.!
um xi. daqueles.

sábado, 10 de outubro de 2009

Atchiiiim!!!!!!!!


A propósito deste fenómeno e da reacção produzida, Mário Ramires, do Sol, presenteia-nos com o seguinte texto, que vale a pena ler:

"Como se já não bastassem as campanhas eleitorais em marcha – para as legislativas de dia 27 e para as autárquicas de Outubro –, há uma outra gigantesca campanha em curso, envolvendo custos, material de propaganda e recursos humanos tão desproporcionados e excessivos quanto os das outras duas: a da prevenção contra a gripe A.
Com uma agravante: a campanha começou oficialmente faz meses, ganhou novos contornos com a reabertura das escolas e promete prolongar-se pelo Outono e pelo Inverno... até ver.
A coisa nem começou mal – bem pelo contrário –, com as entidades competentes a travarem alarmismos histéricos, a garantirem informação e acompanhamento permanente e a accionarem planos de resposta à medida da pandemia anunciada.
Mas daí ao exagero foi um espirro.

O ano lectivo começou esta semana, com os costumeiros problemas e mais um: esse, o da campanha contra a gripe A, eleito matéria extracurricular de frequência obrigatória e prioridade máxima. Ai do menino, mesmo do primeiro ano, que desde o primeiro dia de aulas não saiba o bê-á-bá da gripe. O resto tem tempo.
As escolas mobilizaram-se para distribuir panfletos aos estudantes e pais, trataram de arranjar salas de isolamento para os casos suspeitos mesmo quando nem para as aulas há instalações de jeito, esgotaram o stock de gel desinfectante, perderam horas de trabalho em reuniões de professores e funcionários para pôr em prática os planos de contingência.
E as normas procedimentais aí estão, feitas à medida das possibilidades e do zelo de cada um. E, por isso, variam de escola para escola.
Nalgumas, os pobres miúdos são obrigados a lavar as mãos a cada espirro ou tossidela. Noutras, os desgraçados professores são obrigados a manter em cima da sua secretária um boião de gel que cada aluno é obrigado a utilizar imediatamente a seguir à entrada na sala de aula e antes de sair para o recreio – em turmas de quase 30 alunos não é difícil de imaginar o cenário – e ainda sempre que alguém vai ao quadro e pega no apagador, no giz ou no apontador que outrem usará a seguir. E por aí fora.
Ainda está para se saber como será num jogo de voleibol, basquetebol ou andebol numa aula de educação física duma dessas escolas mais zelosas: cada jogador terá de lavar as mãos a correr depois de passar a bola?
Um absurdo é o que é. Perda de tempo e de dinheiro.
O respeito das regras básicas de higiene e alguns cuidados acrescidos são como os caldos de galinha: não fazem mal a ninguém.
Mas pensar em travar a propagação do vírus por usar e abusar de um gel desinfectante nas salas de aula é o mesmo que acreditar que o vírus também faz intervalo durante o recreio – ou os miúdos vão deixar de cumprimentar-se, beijar-se, empurrar-se, cuspir-se, embrulhar-se à bulha, de beber do mesmo copo ou da mesma garrafa por causa duma coisa chamada H1N1?
E bem podem dizer-lhes que as pessoas responsáveis guardam distância de pelo menos metro e meio em relação aos seus interlocutores – nas outras campanhas, não andam todos aos beijos e abraços nas feiras, nos mercados e nas ruas, indiferentes aos riscos pandémicos?

A prova de que tudo não passa de um excesso de zelo e descabido contra-senso é que, esgotado o milagroso gel e face à sua inexistência em algumas escolas que não deixaram de abrir, a própria ministra da Saúde veio descansar os professores, técnicos auxiliares, estudantes e pais com a garantia de que lavar as mãos com o tradicional sabão azul é, afinal, suficiente.
Tanta preocupação e tanto investimento com o raio do gel xpto e vai de lá bastavam umas barras de sabão macaco...

...E, já_agora, umas garrafinhas de lixívia. É que as nódoas na Educação e nas escolas vão muito para além dos excessos com a gripe A.
E devia fazer parte das mais elementares regras de higiene mental acabar com elas.
Cabe lá na cabeça de alguém, por exemplo, que um professor tenha um conjunto de turmas de diferentes anos com um total de mais de duzentos alunos e, destes, quase uma vintena em regimes especiais – que implicam apoio pedagógico individualizado, adaptações curriculares ou avaliações diferenciadas – e que ainda tenha de dar aulas de substituição, receber pais, fazer relatórios individuais sobre os discentes e o mais a que está obrigado? Por junto, não dá para se dedicar a cada aluno nem um dia por ano.
Já para não falar das aulas em escolas em plenas obras e em tantas outras que delas tanto precisam e nunca mais as têm ou daquela em que o amianto foi retirado das paredes e deixado esquecido no pátio.
Em final de legislatura, é natural que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues já vá lavando daí as suas mãos.
Mas as nódoas que deixa na Educação não saem com gel, nem com sabão macaco ou pedra-pomes... só com lixívia, que é receita antiga mas eficaz."

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

pé ante pé por Pessoa

Põe a tua mão

Sobre o meu cabelo...

Tudo é ilusão.

Sonhar é sabê-lo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ladybug


Hoje lembrei-me de vocês ao longo de todo o dia. Não é que me esqueça, mas hoje a intensidade foi maior. Sentia-vos mais perto. O coração permite quebrar as distâncias e puxa para perto aqueles que trazemos dentro. Acho que é por causa da Joaninha que me deste...

E, foi assim, o dia quase todo: ouvia-vos as gargalhadas e quase consegui sentir-vos a pele. Na alma trazia a luminosidade do vosso sorriso.

Muitas ganas!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

'tá feito!


pediram-me para escrever qualquer coisinha...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

silêncio


o telefone toca. uma voz diz-me que partiste. sinto um soco no estômago. as palavras não saíram, porque o silêncio exerceu todo o seu peso. um vazio a instalar-se. a lágrima insiste num esforço inútil. o ritual a cumprir-se e a confirmar o que parecia impossível ser verdade.

nas horas que passam, parece que consigo ouvir a tua gargalhada. os cabelos atirados para trás e o som do teu riso. luminoso. como o sol, que a tua M. diz que gostas.

um beijo doce.
(imagem de www.olhares.com)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

SUL


Em direcção ao Sul. A cabeça cheia, num permanente turbilhão de pensamentos, raciocínios e análises. A maquinaria neurológica a equacionar o que não pode ser equacionado, à medida que percorro os quilómetros que me levam ao sul. Vozes que se levantam e tentam, sem sucesso, calar o coração, naquele dia um bocadinho mais sensível do que é habitual. Dia mau para ir ou ficar. Dia que se queria verdadeiramente quente como a estação.


A noite cai. Entro na cidade. Permanece igual: as casas, os telhados de quatro águas, o jardim, as ruas preenchidas com os passos tranquilos de gente que brinda às noites quentes. O rio, no fiel compasso das marés, está agora cheio. Ao fundo, já na ria, as águas parecem misturar-se com o céu. As noites têm sido perfeitas.


Amanhece. O calor do sul estala nas paredes e o mar chama. Mergulhar é a palavra de ordem. Lentamente, a cabeça começa a serenar. Não se esvazia. (Seria preciso que o "meu" sul se fechasse no Verão só para mim). Toco na areia, enquanto o sal ainda me refresca a pele. Sobre mim, um céu. Enorme.


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pausa


Foi um mimo que me entreguei. Uma necessidade premente. Absoluta. Inadiável. A evasão, debaixo de um céu a que nenhum outro se consegue igualar, seja noite ou dia. O Alentejo é assim. Terra quente, de amarelo a arder. Em cima, o azul riscado, aqui e ali, com linhas brancas. Um silêncio doce e o corpo entregue à agua, indiferente às vozes. Uma espécie de descanso do guerreiro. A cal, num sereno acolhimento. Mergulho.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

É oficial...


o Alentejo é mágico (e eu precisava mesmo de parar).