sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

a insustentável leveza do ser


Os dias passaram sem sabor a férias. Não que costume gozar o Carnaval, nada disso. Para mim não representa mais do que uns diazitos misericordiosos em que posso respirar e sentir, especialmente este ano, que há um outro mundo para além da IM... Por mais que quisesse e precisasse, a conjuntura não permitiu que me afastasse da capital e rumasse em direcção ao Sul. E o bem que me faz ir ao Sul... Assim, fiquei por casa, a tentar trabalhar, limpar e distrair-me. No fundo, no fundo, só me enganei, pois a distracção não foi mais do que experimentar uma esplanada, junto ao rio, de que me tinham falado (umas 200.000 vezes...muito boa, é verdade!). Por isso, depois de encarar algo que há muito andava a adiar, achei que era chegado o dia de usufruir de um presente precioso, guardado para situações de emergência e oferecido por pessoas que trago dentro. E lá fui eu, com o coração aos pingos - porque há dias em que sentimos o mundo em cima das costas -, experimentar a flutuação. O acolhimento foi excelente e a sessão melhor ainda. O que eu precisava disto! Bom. Muito bom, mesmo. A música, a água e as cores aperfeiçoaram cada minuto. Os aromas fecharam tudo com chave de ouro! Por que será que me adapto tão bem a estes mimos? Depois senti-me assim...


Obrigada!



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Já está... eu sabia...




Mude...mas comece devagar,
porque a direcção é mais importante
do que a velocidade.

Sente-se noutra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
passa.


Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Dê os sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor,
a nova vida.

Tente.
Procure novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce noutros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão noutra padaria.

Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Deite fora os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta noutro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.

E pense seriamente em arranjar outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa,
se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.

Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda !


(Edson Marques - adaptado)

Eu quero



Evadir-me, esquecer-me, regressar

À frescura das coisas vegetais

Ao verde flutuante dos pinhais

percorridos de seivas virginais

E ao grande verde límpido do mar.

Sophia M. Breyner in Dia do Mar IV

Eu quero ver o mar, sentir o sol, voar, escutar, observar. Eu quero viver os dias e não vê-los passar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

festas no coração

Um fim-de-semana cheio de gente que é minha, gente que me conhece até do avesso e gente que sabe de onde vim, gente a quem quero muito bem e outros a quem amo mais ainda. Rir. Conversar. Olhar em volta. Recordar as brincadeiras partilhadas e as asneiras guardadas em segredos que ainda duram. Desmancharmo-nos a rir quando a música da adolescência, vivida intensamente, se fez ouvir e nos surpreendemos a trautear. Gente que nos dá identidade. Socorrer o miúdo que caiu e desesperar com o resto que não pára quieto um segundo, enquanto os outros continuam a olhar-nos como se ainda fôssemos os moços pequenos. Descobrir água nesses olhos e ficar com eles também brilhantes, quando alguém que não via há anos me veio dizer que sabe quem sou, porque sou a Tua cara. Sentir o chão fugir-me dos pés quando eles os dois se lembraram de correr para a foto dos oito, que já são bem mais, e evocaram os Avós que começaram tudo isto... E eu a ver-te no meio deles. E depois o dia seguinte, com a festa grande da mais pequenina. E outra vez as pessoas e o riso, as lamentações dos pés doridos e dos músculos de quem dançou para lá do que o corpo permitia, e a mesa posta, e beijinhos, e mais pratos e mais doces e mais, e mais e mais. Tudo a quebrar-me generosamente a rotina e a renovar os dias. Claro que o estômago não resiste a tantos excessos, mas mesmo assim, e apesar do dia de molho, da sombra que sinto cá dentro quando vos vejo ansiosas a querer esticar os minutos, da vossa autoridade em escolher o meu lugar à mesa, entre as duas, do trabalho que ficou por fazer, soube-me ao céu o fim-de-semana.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pronto!


Já estou assim... em contagem decrescente. Pronto! Não há muito a fazer, quando os sorrisos doces se aproximam! Fico sempre assim, ansiosa por me perder no mundo delas.
(Já agora... quando o fim-de-semana chegar, faz que ele dure muito tempo!)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quero, quero, quero

Quero percorrer caminhos com consciência e atenção.
Quero seguir a Vida sem pensar no Ontem.
Quero continuar a acreditar e a ter Esperança.
Quero viver cada dia, com o sorriso que trago dentro.
Quero impedir que me tirem o sorriso.
Quero ser fiel à verdade e à justiça.
Quero saber reconhecer as horas em que é altura de parar.
Quero reconhecer o momento em que só me resta entregar à Vida o rumo dos acontecimentos.
Quero largar o que me atravanca a alma e coloca o coração aos saltos.
Quero entregar-me às pessoas que encontro e que trazem luz.
Quero lembrar-me sempre que em cada um de nós mora um pouco de sombra também.
Quero viver cada dia sem medo do amanhã.
Quero ter sabedoria para tomar opções acertadas.
Quero ter coragem para escolher.

Preciso mesmo

Dá-me, Senhor, a Serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar.
Dá-me Coragem para transformar o que está ao meu alcance.
E, por fim, dá-me Sabedoria e Discernimento para distinguir uma coisa da outra.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hoje


Hoje estou mole. Ensonada. A semana foi exigente... nem sei porque estranho. Estou assim. Com vontade de me enroscar e ouvir a chuva cair, lá fora. Foi no dia de hoje.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Palavras para Ti

Já passaram mais de dez anos, mas sempre, por esta altura, encho-me mais de Ti. Os foguetes bem podiam estoirar no céu a minha raiva, já que a música, que ecoa nas ruas, continua a esvaziar-me. Experimentei não estar aqui nestas alturas, mas logo descobri que não importa o lugar onde estou. Tu estás, esteja eu onde estiver. O frio daquele domingo, que era para ser de festa, deu lugar a uma saudade, com a qual procurei viver para não cair num abismo, tal o vazio que senti. Lembro-me perfeitamente da roupa que vestia. Lembro-me de sentir que não devia sair, e, por isso, ao fazê-lo, não estava fora, mas dentro. De tal forma, que te ouvi chamar. E voltei. Não consigo lembrar-me desses dias, sem que o nó se forme de novo na garganta. Sabes que sempre lutei por Ti, mas nos últimos tempos, percebias o meu cansaço e isso irritava-me, porque não queria baixar os braços. Mas a esperança traía-me. A raiva de não conseguir vencer aquilo que te arrancava de nós. Um desespero de não poder tomar o teu lugar. A incapacidade de pensar uma vida sem Ti. A sensação de já não ser inteira. De ter perdido uma parte. A dor a corroer, a corroer. A vontade de desatar a correr e a gritar que não, que não! A avisar o Deus Todo Poderoso ou a Vida que ainda precisava de Ti, da tua mão, das tuas palavras sábias. A sensação de estar a correr contra a maré, desesperada, exausta, a implorar que o Mundo fizesse o mesmo, porque haveríamos de conseguir. E, ao fim do dia, exausta, adormecia com o desejo secreto de despertar do pesadelo. O desespero a tomar conta de mim na última noite em que conversámos. A implorar-te o que não estava nas tuas mãos, mas que eu queria que estivesse, já que não estava nas minhas. Afinal, tiveste sempre a capacidade de nos proteger do que era mau. Não queria ver-te frágil. E o pior de tudo era confrontar-me com a minha finitude perante a tua fragilidade. Que sim, que te salvo, que não te deixo só. A força que me enchia por dentro não conseguiu desviar o rumo dos acontecimentos. E depois os dias que se seguiram e, com eles, a necessidade de aceitar os meus limites, de compreender que o nosso Amor é infinito mesmo que a Vida tenha seguido o seu rumo. Os gestos diários a serem corrigidos. Um prato a voltar para o armário. O cheiro a ir embora e nós sem sabermos o que fazer com os destroços. Foi com isto que vivi durante muito tempo. Hoje, na companhia Dele, cheguem-se aqui. Deixa-me fechar os olhos e ver o vosso rosto. Agradecer-vos o Amor em que cresci, a delícia de ser tão amada, a maravilha de poder compartilhar a Vida e a paz com que agora me dirijo a Ti, mesmo que os foguetes me incomodem.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Vicky Cristina Barcelona



Porque tanto perderse tanto buscarse sin encontrarse,
me encierran los muros de todas partes

Barcelona,
te estás equivocando no puedes seguir ignorando
que el mundo sea otra cosa y volar como mariposa.
Barcelona,
hace un calor que me deja
fría por dentro con este vicio de vivir mintiendo
que bonito seria tu mar si supiera yo nadar.
Barcelona,
Y mientras está llena de cara de gente extranjera,
conocida, desconocida Â... y vuelta a ser
transparente.
No insisto más Barcelona
si no es cosa de tus ritos (o gritos?) tu laberinto
extrovertido.
No he encontrado la razón porque me duele el corazon
porque es tan fuerte que sólo podré vivirte en la
distancia
y escribirte una cancion.
Te quiero Barcelona.

(Giulia y Los Tellarini - Barcelona)

Mais um presente de Woody Allen. A beleza de uma cidade como Barcelona, o prazer da Amizade e a certeza que as pessoas se dividem entre aquelas que buscam o sentido da vida e as que se deixam levar por ela, sem questões. A prudência e insegurança de uma jovem, e a certeza de outra, para quem amar é perder-se. Para lá das convenções e da crítica, o filme encheu-me e fez-me sorrir por dentro. E muito mais há a dizer. A ver e ouvir, porque a banda sonora é deliciosa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

E ainda isto para vocês!



THAT'S WHAT FRIENDS ARE FOR

And I never thought I'd feel this way
And as far as I'm concerned
I'm glad I got the chance to say
That I do believe I love you
And if I should ever go away
Well just close your eyes and try
To feel the way we do today
And then if you can remember...

(Chorus)
Keep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me for sure
That's what friends are for
For good times, and bad times
I'll be on your side forevermore
That's what friends are for

Well you came and opened me
And now there's so much more I see
And so by the way I thank you...oh
And then for the times when we're apart
Well then close your eyes and know
These words are coming from my heart
And if you can remember...oh

(Chorus)
Keep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me for sure
That's what friends are for
For good times, and bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for

(Bolas! Estou mesmo sentimentalóide!)

Para os meus meninos do Património


Hoje, devido a um momento de partilha com uma Amiga Nossa, voltei a recordar os vossos rostos. Voltei a sentir vontade de nos encontrarmos: aqui, aí ou em qualquer outro lugar. Hoje, porque a semana de trabalho chegou quase ao fim, queria ter um jantar marcado convosco. Queria ouvir as vossas conversas misturadas. Podia ser até um simples café, bastava que pudéssemos estar todos juntos. Podia ser à saída da Biblioteca (aquela onde vos obriguei a passar horas!), desde que pudesse ouvir-vos rir de tudo e de coisa nenhuma. Podia ser no Café da Praça desde que conseguíssemos falar um pouco e estreitar os laços. Sinto saudades da vossa animação contagiante que, por vezes, vos impedia de trabalhar e me levava ao desespero! Sinto saudades da sensação única de estar entre vós e sentir que, realmente, estava entre vós.

Sinto saudades dos vossos disparates e da imensa vontade de rir, que nem sempre consegui controlar!

Obrigada, mais uma vez, porque é fantástico podermos ter o coração cheio de pessoas que não foram apenas conhecidos mas se tornaram AMIGOS!
Um xi-coração enorme!!!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Digam-me que vou acordar!



Depois dos dias salvos eis como uma simples torradinha vem condenar o fim-de-semana, a conta bancária, o ânimo e acordar um medo antigo e incontrolado...


Ainda me faltavam uns quilómetros quando a dor do pequeno-almoço se reanimou. Vai passar, vai passar! Não passou! Cresceu. Pelo retrovisor, vi as lágrimas caírem pela face. Engulo um comprimido. Glup! Chegada ao destino, a dor mais quieta, não impediu que os outros percebessem que algo se passava. Corri para fazer tudo o que tinha de fazer, como se o dia assim terminasse mais cedo.

Ao fim da tarde, alguém me aconselhou uma bomba para as dores!!! E foi! Só o estômago se contorceu e, pela madrugada, lá expulsou o que havia dentro... Consulta de urgência. Um diagnóstico assustador. Um sábado de molho, a querer mimo e canja, sem que os felinos e a Vida se compadecessem.

Um fim-de-semana e três idas ao dentista. Assim de repente, parece-me uma luta desigual...

No meio disto tudo, e colocando de lado o pânico que tenho e não consigo dominar, mais as asneiras que aqui fizeram, alguém me poderá responder a umas questões muitos simples?

1. Por que motivo, assim que entramos no consultório, nos perguntam: Então? Tudo bem?

(Sim! Claro. Vim cá dar uma volta!) ou Então? O que a trás por cá? (Assim de repente... vim fazer as unhas!)

2. Outra dúvida: porque raio é que, depois de nos garantirem que não dói nada, perguntam-nos n vezes, durante o tratamento, se está a doer ou, pior, nos pedem que levantemos a mão, se doer...

3. É mesmo necessário fazerem aquelas perguntas todas, quando temos a boca cheia de instrumentos que NINGUÉM tira para que possamos responder? O que é que sente? Hmmm!!!!

4. Ainda outra: o gajo tem a faca e o queijo na mão, ou, o que é pior, a seringa e a broca. Tem a cara tapada e uns óculos que tornam a situação mais negra. Debruça-se sobre nós e diz: Relaxe! Não custa nada! enquanto diz Pois, pois, isto não está nada famoso...
Por favor... Não há paciência!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Salvar os dias


Saio, já de noite, depois de uma reunião em que o estômago começou a embrulhar-se. Há gente mesmo mázinha. O frio faz crescer a sensação de desconforto. É só a segunda semana...

Já na estrada, defino as tarefas a fazer assim que chegar a casa, numa espécie de lista de prioridades, porque, hoje, a profissão tem dois espaços e vários horários... Dou um toque à chamada não atendida e depois atendo... Do outro lado, a voz que me salvou mais este dia: "Blá, blá, blá, o AMG blá, blá, blá, jantar, blá, blá, blá... japonês." Sem pensar, respondi que sim. "A que horas?""Oito." Olho para o relógio do carro: sete. E eu ainda em Cascais... Dasss! Lá fui eu a pedir aos da frente que usassem a caixinha de velocidades!!! Podia ter sido pior. Consegui ir a casa antes e às oito lá estávamos. Risos. Começo a perceber que isto é viciante. Sabe-me cada vez melhor! O sushi é a eleição, mas o sashimi não lhe fica atrás, não senhora! O prazer de estar a cortar a rotina. Forçar o stress a recuar. Que não, que não te deixo instalar, porque a vida é minha e quero-a boa! Que se f...... as pessoas que rastejam. Para mim quero momentos assim: descontraídos, alegres e sem veneno. Gracias!


(depois comentamos o resto! Eheheh!)

domingo, 11 de janeiro de 2009

hoje não quero conversa!

irrita-me o cansaço que se apodera de mim.
irrita-me ter livros para ler e ter de o fazer.
irritam-me os quilómetros a percorrer com hora marcada.
irrita-me a indefinição.
irrita-me ter de fazer contas.
irrita-me andar carregada de coisas.
irrita-me muito perder o que Ele me deu.
irrita-me profundamente levantar-me de madrugada.
irrita-me a gestão das emoções.
irrita-me a sorte que acompanha os vermes.
irrita-me este desejo de que partam as perninhas e os olhos lhes saltem das órbitas... (mas é tão grande!)
irrita-me este sabor amargo que ainda sinto na boca.
irrita-me ter de gerir horas e minutos.
irrita-me não dar prioridade à tranquilidade.
irrita-me esta sensação de poder estar a ser ingrata.
irrita-me irritar-me tanto.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

De volta... (que remédio...)

Pronto. Já não dá mais para ficar sem escrever. Passaram-se alguns dias e eu ainda tentei prolongar o sabor doce, mas a verdade é que os meus sorrisos já foram e agora vai demorar um tempinho até que os tenha de volta novamente. Podia pôr-me para aqui a debitar cada uma das horas passadas com os sorrisos, mas há momentos que, por serem tão grandes, tão bons, tão doces, não cabem na finitude das palavras. Os meus sorrisos são deste tipo: muito bons.

O ramram regressou em força, com direito a espanto, riso e choque tal era a dimensão das interpretações com que fui presenteada... E não é que, se calhar, Maria usava sete saias?!? E que o Menino ainda foi o mentor dos Pastéis de Belém?!? Qui ça existirão vestígios arqueológicos da pequeno estábulo sob as estruturas do CCB? Já estou a hiperventilar outra vez... Há profissões com muita emoção... e ainda só vou na 1ª semana... (medo!)
Ai que corro o risco de entrar na loucura frenética a que diariamente nos convidam! 2009, 2009, não te esqueças do nosso acordo!!
Entre a partida dos meus sorrisos e o regresso desta rotina, lá vou eu tentanto equilibrar a balança. (essa também podia estar mais equilibrada sim, que não se perdia nada).

domingo, 4 de janeiro de 2009

sábado, 3 de janeiro de 2009

2009, sê bom para mim!!!

2009, chega-te aqui. Quero segredar-te ao ouvido. Aproxima-te e escuta com atenção:

Quero o melhor do mundo para aqueles que tu sabes quem são.
Quero continuar a sentir e a entregar-me.
Quero rir e sorrir.
Quero partilhar.
Quero reencontrar os amigos que me fazem falta.
Quero continuar a crescer.
Quero ter tempo para ler e ir ao cinema.
Quero viajar.
Quero ganhar dinheiro.
Não quero angustiar-me.
Quero trabalhar sem enlouquecer.
Quero que cheguem ao fim algumas tempestades.
Quero tomar decisões acertadas.
Quero recuperar a esperança na Vida e a fé nas pessoas.
Quero sentar-me à mesa com os amigos.
Quero ouvir música.
Quero ser mais disciplinada.
Quero aprender a gerir as saudades.
Quero continuar a aprender a aceitar.
Quero cultivar-me.
Quero continuar a escrever.
Quero ter a certeza que os meus amigos sabem o quanto me são importantes.
Não quero sentir medo.
Não quero esquecer-me de mim.
Quero arranjar um dentista que não faça doer.
Quero agradecer diariamente.
Quero pôr de pé aquele sonho.
Quero dar-me bem contigo.
E tudo isto com muita saudinha.

Vá lá, tens doze meses... achas que podes dar uma ajudinha? Eu faço a minha parte, OK?

Toma lá, para a tua Colecção

Ok. Aceito o desafio, mas já sabes que não dou as cônfias que tu dás...

Eu já escrevi uns blogues e quase dois livros.
Já plantei árvores e reguei laços que cresceram mais ainda.
Eu já amei perdidamente.
Eu já chorei até à exaustão pessoas que já não consigo ver.
Eu já sobrevivi a perdas que julguei não conseguir.
Eu já caí no início de uma entrevista de trabalho (e fui admitida... sou mesmo boa!!!)
Eu já me sentei entre conferencistas e era apenas uma mera espectadora...
Eu já comunguei do vinho, numa celebração importante, directamente do cálice... (para quem não sabe, só os padres o fazem e mais não digo...)
Eu já pesquei.
Eu já fui a remos para a praia.
Eu já pedi um autógrafo ao Vasco Granja (note-se que não era para mim...)
Eu já saí de uma Bomba de Gasolina enquanto abastecia.
Eu já tive de sair de uma loja à pressa por solidariedade a uma amiga.
Eu já ofereci uma prenda a uma pessoa importante e ia com o preço.
Eu já bebi do sumo de estranhos, julgando ser o da minha colega, que afinal ainda não tinha sido atendida. (caladinha, caladinha, que ninguém viu!)
Eu já subi e desci de autocarros de Lisboa, sem rumo, à noite.
Eu já me perdi num bairro degradado...
Eu já pus a tralha no carro e parti em busca de novas experiências profissionais. (cheira-me que a Vida gosta de me dar disto)
Eu já senti o coração a inundar-se de raiva.
Eu já tive vontade de desaparecer.
Eu já caiei uma casa e pintei algumas paredes.
Eu já me aleijei a sério e calei-me só por orgulho. (coisas de criança)
Eu já fiz xixi num elevador por causa de uma aposta.
Eu já desci uma certa avenida, a horas pouco recomendáveis, com algum excesso de álcool no sangue...
Eu já me fiz passar por empregada doméstica só para não ter de responder àqueles vendedores que vão de porta em porta.
Eu já senti desejos de vingança.
Eu já ganhei no euromilhões (ok, não era o primeiro prémio... nem o segundo...)
Eu já comi sardinha em lata, temperada com sumo de laranja, porque não havia mais nada...
Eu já fiz de Anjo num Presépio vivo.
Eu já vi um pneu em baixo e pedi ajuda, quando afinal já via a dobrar.
Eu já chorei n vezes no cinema (e continuo a fazê-lo). Passa-se o mesmo com alguns livros...
Eu já persegui a polícia.
Eu já toquei o Hino da Alegria num xilofone.
Eu já comi bolos fantásticos numa espécie de fábrica lisboeta, de higiene muito duvidosa, em plena madrugada.
Eu já fui expulsa de um bar.
Eu já fui seguida, de madrugada, e não acredito que fosse a polícia.
Eu já tive uma insolação e é do caraças.
Eu já saltei pelos quintais da vizinhança só para me divertir.
Eu já pus sal numa papa de banana por engano.
Eu já recheei bolachas com pasta de dentes para pregar uma partida.
Eu já quis dizer o que me ia cá dentro e optei pelo silêncio.
Eu já fui a uma discoteca só para vomitar.
Eu já enganei um jornalista marcando-lhe uma entrevista com alguém que nenhum de nós sabia afinal quem era.
Eu já servi um café ao Carvalho Rodrigues (sim, esse mesmo, o cientista).
Eu já fui confundida com cláusula de um protocolo com russos.
Eu já comi uma malagueta por engano.
Eu já estive segura numa simples ervinha, enquanto me tentavam tirar de uma escarpa, algures no Cabo da Roca.
Eu já quis romper uma relação por preconceito.
Eu já vomitei enquanto conduzia.
Eu já terminei uma despedida de solteira numa esquadra.
Eu já tive alunos que nunca vou esquecer.
Eu já expulsei pessoas de minha casa.
Eu já senti o chão fugir-me dos pés.
Eu já fiz um mestrado e sinto vontade de voltar a estudar.
Eu já fui pintada enquanto dormia e não dei por nada.
Eu já lavei uma capela inundada.
Eu já fui atropelada por uma mota e caí de pé. (há que manter a dignidade!)
Eu já entrei na justiça porque acredito.
Eu já vivi em diferentes lugares.
Eu já conheci pessoas fantásticas.
Eu já fiquei sem reconhecer a M. à conta de directas.
Eu já caí e levantei-me algumas vezes.
Eu já disse o que me ia cá dentro só porque era grande demais.
Eu já senti vontade de me deixar levar só pelos sentidos.
Eu já reparei que isto é viciante e é melhor parar por aqui...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

de coração cheio

O coração cheio. horas a fio de caneta em punho. grelhas. médias. reuniões. a correria que não devia ser do costume. a ansiedade a levedar e a atravessar-se-me na garganta. o descanso ali à frente, como um quase que nunca mais chega. e o calendário a passar e a trazer este mês que ficou mais frio do que já é. e eu sem conseguir parar para aqui te deixar as palavras. não que te façam falta. na verdade, a necessidade é minha. de regressar a um local sem espaço, como se me quisesse sentar junto à pedra, na margem do rio que hoje nos separa. a certeza de estares aí, mesmo que o nevoeiro não me permita ver quase nada. e depois, depois de alguns momentos a sós, só tu e eu, levanto-me mais cheia de ti. às vezes, questiono se não será um fenómeno absurdo. quero lá saber! deixo-te hoje estas palavras. e aqui me sento um pouco, enquanto a água corre a meu lado. Ainda o 17 não havia chegado e já só pensava em ti. Falei com o M. o corpo cansado não impede que o coração se encha de saudades. em cada canto a tua presença. o frio a fazer-me resmungar como fazias. o M. já cá está. aguardamos a chegada do resto de nós! estamos ansiosos. ontem, entre risos e parabéns, disseram-me um até amanhã! fabuloso. daqueles que se dizem raramente. cheio de si próprio: a-t-é-a-m-a-n-h-ã-! tão bom ouvir isto e devolver! Estás feliz, princesa? -Sim! Mas amanhã vais estar mais, não vais? Sim! Se não me fizeres cócegas! Isso é que era bom! Nem penses! -Então, só um minuto! De quê? -De cócegas! Não! Um minuto e meio! -Está bem! Estou aqui, prontinha para cumprir! Como vês continuamos a deixar falar o coração!
um beijo doce